Atividade de interpretação textual

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TEXTO 1

Eu vi o inferno na Terra

Chifusa Wakigawa, 87 anos, japonesa, sobrevivente da bomba atômica de Nagasaki e moradora de Volta Redonda (RJ)

F

oi apavorante ouvir, pouco tempo atrás, o som que saiu de uma chaleira novinha que eu havia posto no fogão de minha casa, em Volta Redonda. Tive de jogá-la no lixo. O barulho me fez lembrar do momento mais terrível de minha vida, há 71 anos, em minha cidade-natal, Nagasaki, no Japão. Isso porque o chiar era muito parecido ao que as sirenes emitiam durante a Segunda Guerra para avisar a população da chegada de bombardeiros americanos.

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O alarme indicava que deveríamos correr para nos esconder em abrigos construídos fora de nossas casas. Em 1945, quando o conflito se encaminhava para o fim, eu era uma adolescente de 16 anos e já estava acostumada com aqueles alertas. O tempo todo nós sofríamos ataques de aeronaves B-29. Eu dormia sempre vestida, pronta para fugir ao menor sinal de perigo. Entretanto, a bomba que cairia sobre a cidade no dia 9 de agosto não iria significar – nem para mim nem para o mundo – apenas mais um episódio banal do cotidiano da guerra.

Era por volta das 11 da manhã e eu estava no meio do meu trabalho, em uma fábrica de equipamentos bélicos. Nada sabíamos do que havia ocorrido três dias antes em Hiroshima e que viria a se repetir em Nagasaki. Enquanto eu ajudava uma amiga a limpar a lama de peças de torpedos, um clarão vertiginoso invadiu a vidraça da janela, acompanhado pelo som das sirenes. Na sequência, um estrondo ensurdecedor tomou conta do ambiente. Por sorte, sei hoje, uma parede atrás de mim caiu, inclinada, sobre uma mesa que me serviu de proteção. Tudo ocorreu tão rápido que pensei, por instantes, ter morrido. Quando o barulho parou, apalpei meu corpo: não tinha ferimentos. Não conseguia ver nada; acreditava estar cega. Contudo, aos poucos, a visão voltou e pude observar o que se passara. À minha volta, só havia escombros e muitos, muitos mortos. Saí correndo para casa.

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No caminho, deparei-me com cadáveres carbonizados, irreconhecíveis como seres humanos, vítimas ensanguentadas clamando por socorro e queimados tentando saciar a sede na beira do rio já contaminado. Nunca se apagou da minha memória a cena de uma mãe segurando firme um bebê já sem cabeça. Ela implorava por água como se ainda não tivesse caído em si. Eu vi – não há outro modo de descrever – o Inferno na Terra.

“Tudo ocorreu tão rápido que pensei, por instantes, ter morrido. Quando o barulho parou, apalpei meu corpo: não tinha ferimentos. Não conseguia ver nada; acreditava estar cega”

Em nossa residência, encontrei minha mãe salva. Naquela noite, nós duas rumamos para um cemitério que ficava no alto de uma montanha – era o lugar mais protegido do caos. Lá, dormimos ao lado de túmulos de desconhecidos, avistando a desoladora paisagem do que havia sido Nagasaki. Seis dias após a queda da bomba atômica na cidade, em 15 de agosto, o imperador japonês anunciou nossa derrota, pondo fim ao conflito. Só que, para nós, a situação não melhorou. Eu tinha medo de me tornar uma vítima dos ataques sexuais protagonizados por soldados americanos que ocupavam nossas terras.

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Quando jovem, eu sonhava em ser professora e bailarina. Com a tragédia, tive de me contentar em virar bancária. Em 1953, eu e meu marido não aguentávamos mais viver no Japão. Pegamos, então, nosso filho de quase dois anos de idade e embarcamos em um navio rumo ao Brasil. Aqui nos instalamos na cidade rural de Maria da Fé (MG). Meu esposo, já falecido, e que era piloto da aeronáutica em nosso país, passou a plantar batatas em um pequeno pedaço de terra. Tivemos outros três filhos, abrimos uma bicicletaria e nos mudamos para Volta Redonda. Hoje, apesar de ainda mal falar o português, não voltaria para o Japão – por nada. De lá, guardo apenas a radiação que tomou meu corpo e ainda causa dores e estranhas alterações em minha saúde. E sempre que se aproxima o fatídico dia 9 de agosto, a traumatizante lembrança daquela manhã chega a me deixar de cama.

Fonte aqui

TEXTO 2

Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

(Obra poética – Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.)

TEXTO 3

A Paz

A paz
Invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz
Fez o mar da revolução
Invadir meu destino; a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos “ais”

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TEXTO 4

Cariocas fazem abraço simbólico na Lagoa Rodrigo de Freitas, no aniversário do Rio

RIO – Moradores do Rio deram um abraço simbólico à Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, na tarde deste domingo. De mãos dadas junto ao espelho d’água, eles fizeram um minuto de silêncio. A intenção do ato, organizado pelo movimento Eu Sou Rio, foi reunir cariocas no dia do aniversário de 450 anos da cidade para desejar que a violência urbana diminua. De acordo com os organizadores, cerca de 100 pessoas participaram do ato.

Segundo a carioca radicada nos Estados Unidos, Patrícia Hudes, criadora do movimento, o Eu Sou Rio foi idealizado como uma forma de conscientizar as pessoas de que o problema com a segurança pública na cidade é um dos mais graves que os cariocas enfrentam.

— Vejo uma insatisfação generalizada com o aumento da violência e a apatia dos amigos e da população diante de tantos problemas que são freqüentes pelas ruas da cidade. Este Movimento é para que nós não nos calemos e que as autoridades competentes saibam que queremos Paz e precisamos viver com mais segurança — diz Patrícia.

Vídeo Mathias Tropa de Elite

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QUESTIONÁRIO

LEIA O TEXTO 1 E RESPONDA AS QUESTÕES DE 1 A 8

1 – A qual tragédia este relato faz referência?

2 – Quais os males que a radiação acometeu a senhora japonesa?

3 – Qual profissão era o sonho de Chifusa e qual ela acabou exercendo?

4 – Qual o local ela passou a noite depois dos ataques ? Qual era o temor dela?

5 – Onde a jovem Chifusa Wakigawa  trabalhava quando ocorreu o ataque?

6 – Qual era o estado das coisas após o ataque?

7 –  Qual a lembrança recordada pela senhora após ouvir o som da chaleira?

8 – Você já viveu algo semelhante? Comente

LEIA O TEXTO 2 E RESPONDA AS QUESTÕES DE 8 A 21

9 – Levante hipóteses: O que vem a ser a “rosa de Hiroshima”?

a) Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
b) Ditadura militar brasileira (1964-1985)
c) Ditadura Vargas (1930-1945)
d) A bomba atômica, que eclodiu durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)
e) Teoria da relatividade de Einstein

10 – O poema conta o fato

(   ) dos efeitos oriundo da bomba atômica jogada em Hiroshima  e de como ficaram os sobreviventes, a cidade e as gerações posteriores .

(   ) da  rosa que cresce na cidade japonesa de Hiroshima e seus efeitos que provocam nas pessoas cegas e inválidas que lá vivem

11 –  Em qual verso o  eu lírico não se contém e  “entra” dento do poema mostrando seu sentimento, a sua opinião:

(   ) Pensem nas crianças mudas telepáticas

(   ) Pensem nas feridas como rosas cálidas

(   ) Pensem nas meninas cegas inexatas

(  ) Mas oh não se esqueçam

12 – A expressão “ rosa radioativa “ se refere a:

(   ) aos problemas do barulho da radioatividade

(   ) aos problemas que ocorreram com as pessoas de Hiroshima que morreram instantaneamente.

(   ) bomba atômica cuja explosão forma uma imagem  bonita como uma rosa

13 – A rosa é uma flor  que “normalmente” é   usada metaforicamente com o sentido  predominante de :

(  ) dor, luto, morte

(  ) alegria, amor,felicidade

(  ) indiferença, amor , felicidade

14 – No poema a   metáfora “ rosa”  tem o sentido de reforçar  a mensagem de que

(   ) os habitantes  estavam  indiferentes  e  não perceberam  o real perigo

(  ) os habitantes não associaram a ideia de morte  diante da  beleza de  se estar formando     a  imagem de uma rosa no céu

15 – Numere as  afirmações correspondentes

  1. crianças mudas telepáticas ( ) alterações  genéticas que serão  transmitidas aos filhos
  2. meninas cegas, inexatas ( )  nascerão deficientes,  com má formação do feto
  3. mulheres rotas alteradas (   ) aquelas que após o clarão e o impacto  da explosão ficaram deficientes, mutiladas

16 – Assinale a alternativa INCORRETA.Quando o eu lírico diz “ PENSEM” ele quer  dizer:

(   ) que o leitor não se esqueça  dos horrores da bomba atômica

(   ) que o leitor imagine as diversas consequências da bomba atômica

(   ) que o leitor se conscientize de que Hiroshima significa o sofrimento  a que todos estarão sujeitos  se voltar a ser  utilizada  bomba atômica

(   ) que a bomba atômica é uma arma que nunca mais será usada, então o leitor deve pensa como uma recordação

17 – A repetição intencional da palavra “ rosa” nos versos  :“ Não se esqueçam/ da rosa da rosa/ a rosa radioativa/estúpida/inválida “,significa que :

(  ) o autor se refere às mulheres e suas futuras gerações, pois terão  filhos que serão deficientes

(  ) o autor se refere às mulheres que foram dizimadas e não vieram a ter filhos.

18 – Como ficou a cidade de Hiroshima na expressão: “ a anti-rosa ”:

(  ) a cidade se transformou na  a antítese da rosa: sem o belo, sem o perfume, sem flor, sem nada, sem vida

(   ) a cidade se transformou  e ficou semelhante a rosa que é bela, tem perfume, tem vida.

19 – O tema do poema  se refere ao fato de que para vencer a guerra, os Estados Unidos lançaram a bomba atômica sobre os civis, no Japão?

20 –  Há alguma semelhança com o que ocorreu em 11 de setembro de  2001,quando  terroristas fundamentalistas  lançaram aviões sobre o as  torres gêmeas  do Word Trade Center atingindo civis ? Os fins justificam os meios?

21 – Pesquise no Tablet o significado das seguintes palavras :  mudas, telepáticas; cegas; inexatas;  rotas; alteradas; cálidas; hereditária, radioativa; estúpida; inválida.

LEIA O TEXTO 3 E 4  RESPONDA AS QUESTÕES DE 22 A 24

22 – No texto 3 o que o autor quis dizer com “Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz”? Comente

23 – De acordo com o texto nº 4 moradores do Rio deram um grande abraço simbólico ao redor da lagoa Rodrigo de Freitas em ato contra a violência.Em sua opinião essa atitude tem alguma garantia de mudança do estado das coisas;principalmente se tratando da cidade em que eles vivem? Disserte

24- Qual a sua opinião em relação à manutenção da paz,devemos lutar por ela ou a inércia vai gerar a paz?

Referências Bibliográficas

Blog :O Mundo Mágico dos Textos

Blog Atividades de Português, Literatura e Redação

Revista Veja

Vagalume “a paz

O Globo

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